– O que é hepatite E?

Doença infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vírus E (HEV) é também conhecida como “hepatite infecciosa”, “hepatite epidêmica” ou “hepatite de período de incubação curto”. Esta forma de Hepatite ainda é pouco estudada no Brasil. A maioria dos estudos são asiáticos devido a endemia desta doença na Ásia.
As grandes epidemias de hepatite E acontecem ainda hoje na África e na Ásia,  regiões mais pobres e carentes de saneamento básico. Por outro lado,  casos esporádicos de hepatite E são hoje descritos em todo o Mundo.

O conceito que se tinha da hepatite E até pouco tempo é de que se tratava de uma doença unicamente aguda, muito semelhante a hepatite A.  Mais recentemente, se demonstrou que o vírus da hepatite E pode ficar latente no organismo e se reativar mediante imunossupressão. Isso explica casos de hepatite E observados em pacientes pós-transplante de fígado, rim e medula óssea, quando recebem medicamentos que diminuem atividade do sistema imunológico para evitar a rejeição. Assim sendo, o vírus da hepatite E passou a ser uma preocupação diagnostica entre os casos de hepatite crônica, principalmente nos pacientes que usam medicações que diminuem a atividade do seu sistema imunológico.

– Qual o período de incubação da hepatite E?

A infecção pelo vírus da hepatite E segue o curso natural de todas as Hepatites Virais. Há um período de incubação que no caso varia de 15 a 40 dias, seguido do período de estado. Não mais do que 20%dos indivíduos infectados desenvolvem icterícia (olhos amarelos). Muitos apresentam os sintomas inespecíficos. Isso significa que, semelhante ao que acontece com outras hepatites virais, a maior parte das hepatites agudas E  não tem diagnostico.

– Como a hepatite E é transmitida?

A hepatite E apresenta distribuição mundial, mas se concentra na Ásia e na África. Semelhante ao que acontece na Hepatite A, a principal via de contágio da Hepatite E é a fecal- oral, por contato inter-humano ou por água e alimentos contaminados. O vírus da hepatite E pode infectar diversos mamíferos, incluindo o porco, o javali, o cervo e, provavelmente, alguns roedores. A sua transmissão através da ingestão ou manipulação de carne desses animais já foi comprovada, todavia na situação especifica do suíno, não se tem qualquer comprovação de transmissão no Brasil.
Na Europa e estados Unidos já se documentou a presença do Virus E no leite de vaca e na carne de porco vendida em açougues.
A disseminação está relacionada às deficientes condições de saneamento básico, baixo nível socioeconômico da população, grau deficiente de educação sanitária e condições de higiene da população. O consumo de frutos do mar cus (Ex Lambreta e Ostra Crua) também podem transmitir a doença. Em regiões menos desenvolvidas as pessoas são expostas ao vírus E em idades precoces, apresentando formas sub-clínicas ou anictéricas, sobretudo em crianças em idade pré-escolar. A transmissão poderá ocorrer 15 dias antes dos sintomas até sete dias após o início da icterícia(olhos amarelos).

A Hepatite E na fase aguda pode causar formas graves, principalmente em mulheres grávidas.A infecção pelo HEV costuma se resolver espontaneamente, mas em alguns casos pode cronificar, A Hepatite E pode se tornar uma doença crônica de fígado em pacientes submetidos a imunossupressão, como acontece em pacientes transplantados de órgãos e tecidos. Alguns especialistas referem a possibilidade de existir transmissão entre animais e homens, já que vários macacos, porcos, vacas, ovelhas, cabras e roedores são susceptíveis à infecção com o vírus da hepatite E.

– Como prevenir a hepatite E?

A hepatite E, a melhor estratégia de prevenção desta hepatite E inclui a melhoria das condições de vida, com adequação do saneamento básico e medidas educacionais de higiene, como o simples ato de lavar as mãos. Deve-se evitar o consumo de água de procedência duvidosa, como também o consumo de frutos do mar crus ou mal cozidos.
Não existe ainda vacina contra hepatite E.

– Como é feito o diagnóstico da hepatite E?

A doença pode ocorrer de forma esporádica ou em surtos epidêmicos. Na maioria das vezes o diagnóstico de hepatite E aguda não é realizado no Brasil, pois os testes não estão disponíveis no serviço público de saúde.
Nos pacientes sintomáticos, o período de doença se caracteriza pela presença de bílis na urina (urina cor de guaraná ou dendê), e icterícia (olhos amarelos). A frequência da icterícia aumenta de acordo com a faixa etária, variando de 5 a 10% em menores de seis anos, chegando até 70-80% nos adultos.

O diagnóstico específico de hepatite E aguda é confirmado, através de exames de sangue chamados anti-VHE IgG e IgM. Estes são confirmados por biologia molecular. A detecção de anticorpos da classe IgG não permite diferenciar se a infecção é aguda ou se estamos diante de uma infecção já resolvida espontaneamente.

– A hepatite E pode ser crônica?

Sim, em indivíduos com o sistema imunológico deprimido. Isso pode ocorrer em portadores do HIV e pacientes em uso de medicamentos imunossupressores, tais como os pacientes com transplante de órgãos

– Como é o tratamento da hepatite E?

O tratamento pode ser com Ribavirina ou Interferon. Habitualmente, há excelente resposta a esses dois medicamentos.